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18/01/2008
4 mil imigrantes ilegais ao ano

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Imigrantes na fronteira

A Polícia Federal do Brasil estima que cerca de 40 quadrilhas agem há pelo menos 20 anos na região leste de Minas Gerais enviando pessoas para os Estados Unidos de forma ilegal. Em média, são 4 mil imigrantes por ano, o que leva à soma de 80 mil em duas décadas. De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Governador Valadares, Rui Antônio da Silva, a estrutura destas quadrilhas é muito bem organizada. Em cada cidade da região há a atuação de pelo menos um grupo. Governador Valadares é tradicionalmente conhecida por ser a cidade brasileira com maior número de imigrantes enviados para este país. Segundo a prefeitura, a estimativa é de que 40 mil valadarenses estejam em outros países, quase 20% da população. Em 2006, as remessas internacionais para a cidade chegaram a R$ 80 milhões e representou um terço do orçamento municipal. No topo do esquema de imigração, está uma pessoa conhecida entre os criminosos como "cônsul". Esta pessoa financia a viagem de quem quer deixar o País. São comerciantes, políticos, empresários que arcam com todas as despesas, tais como passaporte, transporte, alimentação, hospedagem e propina para os "coiotes", que fazem a travessia nos desertos da fronteira entre México e Estados Unidos. Apenas uma dessas quadrilhas é suspeita de ter mandado pelo menos 4 mil pessoas para o exterior. Cada imigrante pagou em média US$ 10 mil pelo serviço. Para evitar o calote depois que a pessoa consegue entrar nos Estados Unidos, o "cônsul" exige sempre que o imigrante deixe uma garantia, que pode ser a escritura de um imóvel, o documento de um carro ou até mesmo uma carta de crédito. O lucro destas quadrilhas, segundo o que já apurou a PF, é em torno de 80% do valor investido. Depois do "cônsul", no organograma do esquema, vem os agenciadores, que são as pessoas que captam os interessados em deixar o País. Eles agem geralmente por indicação, no boca a boca, e recebem comissões para cada pessoa que paga para ser enviada ilegalmente para os Estados Unidos. Assim que um grupo de imigrantes deixa a região com destino ao exterior, entram em ação os apoios. Estes cuidam da parte operacional, como onde ficarão hospedados, quais rotas vão ser utilizadas, conferência de documentação e alimentação. Muitas quadrilhas têm apoios em São Paulo, no aeroporto de Guarulhos, principal porta de saída do Brasil, e até mesmo nos Estados Unidos e no México, que fazem o trabalho de acompanhar o imigrante depois que ele lá chegou, dando suporte até a pessoa conseguir um trabalho e também para cobrar o pagamento do serviço. A maioria das pessoas chega aos Estados Unidos via México e é por isso que o delegado da PF diz que não há muito o que fazer para acabar com estas quadrilhas no Brasil, porque, ao contrário de alguns anos atrás, os imigrantes deixam o Brasil com documentos autênticos. Somente na PF de Governador Valadares são emitidos, em média, 100 passaportes por dia. Todas as manhãs, a fila vai até o lado de fora da sede da instituição. "E como não há o crime de falsificação de documentos, fica complicado chegar até o ´cabeça´. Nós pendemos sim, um agenciador aqui, outro ali, um apoio aqui, e tal, mas o 'grande' mesmo é complicado" afirmou o delegado. Nestes casos, para se chegar até os líderes destas quadrilhas eles teriam de ser enquadrados nos crimes de sonegação de impostos e o de recebimento ilegal de dinheiro do exterior, sem declarar à Receita Federal. Como o pagamento feito é sempre em dinheiro vivo, os emigrantes nunca mandam as quantias para o país via Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. Para isso, são utilizadas agências de turismo, que funcionam como instituições financeiras sem autorização do Banco Central. A maioria destas instituições pertence aos chefes destas quadrilhas, diz a PF. Prisões No ano passado, quatro pessoas foram presas durante a Operação Zeus, realizada pela Polícia Federal no Espírito Santo, São Paulo e Governador Valadares. A PF acredita ter desbaratado uma destas organizações criminosas que atuava no encaminhamento de imigrantes ilegais brasileiros para os Estados Unidos, por meio do uso de vistos americanos falsos. Segundo o delegado Rui Antônio da Silva, foram quatro meses de investigações. A PF descobriu que o líder do grupo, um comerciante que mora em Guarapari, no Espírito Santo, onde foi preso, era o responsável pela elaboração de um sofisticado esquema de imigração ilegal, utilizando-se de uma rota bastante inusitada, denominada Caribe. Os responsáveis pela falsificação dos vistos norte-americanos seriam dois valadarenses, um comerciante e outro advogado. Na casa deles a PF apreendeu farta documentação, como certidões de nascimento e de identidade, passaportes e fotos. Também foram apreendidos computadores e carimbos. Segundo o delegado Silva, além de receber o visto falso, o imigrante viajava acompanhado de um guia, que foi preso em Santos (SP), contratado para o transporte aos EUA passando pela república Dominicana e Bahamas, entrando pela Flórida. Em alguns trechos, a viagem era realizada em pequenas embarcações. "Esta rota era utilizada porque tanto a República Dominicana quanto Bahamas não exigem visto de brasileiros para ingresso no país", explica o delegado, lembrando que esta nova rota passou a ser utilizada depois que o México passou a exigir visto de entrada.


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