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15/05/2008
Bush acirra campanha

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Bush experimenta bicicleta feita em Israel, que ganhou de presente do primeiro ministro Ehud Olmert

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, jogou lenha na fogueira da corrida para escolher seu sucessor ao sugerir que a promessa feita pelo pré-candidato favorito para vencer as prévias do Partido Democrata, Barack Obama, de conversar com a liderança iraniana equivalia ao "falso conforto de fazer concessões"."Alguns acreditam que deveríamos negociar com os terroristas e os radicais como se algum tipo de argumento engenhoso conseguisse convencê-los de que estão totalmente errados", afirmou Bush em Israel, onde participa das comemorações pelos 60 anos da fundação do Estado judaico.

Sem mencionar o nome de Obama, o presidente comparou "essa tola ilusão" com o prelúdio da Segunda Guerra Mundial. "Quando os tanques nazistas cruzaram a fronteira da Polônia em 1939, um senador americano declarou: 'Meu Deus, se eu pudesse ter conversado com Hitler, tudo isso poderia ter sido evitado'. Temos a obrigação de chamar isso pelo seu nome ¿ o falso conforto de fazer concessões. Algo que veio a ser repetidas vezes desacreditado pela história", afirmou.

Os EUA ingressaram na Segunda Guerra Mundial quando o Japão atacou Pearl Harbor, no Havaí, em 1941, mais de dois anos depois da invasão da Polônia pela Alemanha.

Bush, que tem evitado falar a respeito da atual corrida presidencial, que termina na eleição geral em novembro, provocou uma resposta dura de Obama, o senador pelo Estado de Illinois que está perto de derrotar sua rival Hillary Clinton pela vaga do Partido Democrata no pleito do final do ano.

Obama diz que gostaria de reunir-se com os líderes de países considerados hostis pelo governo americano, como o Irã, a Síria e a Cuba. O pré-candidato argumenta que os EUA cometem um erro ao se recusarem a conversar com essas nações.

"Falso ataque"
"É triste ver o presidente Bush usando o pronunciamento feito por ele no Knesset (parlamento israelense) em comemoração pelos 60 anos de aniversário da independência de Israel para lançar um falso ataque político", afirmou Obama.

"George Bush sabe que eu nunca concordei com uma aproximação em relação aos terroristas. E a extraordinária politização das políticas externas realizada pelo presidente e sua política do medo não colaboram em nada para garantir a segurança do povo norte-americano ou do nosso fiel aliado Israel", disse.

O candidato do Partido Republicano à Presidência, John McCain, em campanha no Estado de Ohio, não repetiu a expressão "fazer concessões" quando questionado a respeito dos comentários de Bush.

Mas criticou a promessa de Obama de conversar diretamente com os inimigos dos EUA, e em especial com o Irã. "Esse é um grave erro da parte do senador Obama. Ele demonstra ingenuidade, inexperiência e falta de bom senso quando diz que desejaria sentar-se à frente de uma pessoa que lidera um país que diz que Israel é um 'cadáver fedorento', um país dedicado à destruição do Estado de Israel. Minha pergunta é: sobre o que ele deseja conversar?", disse McCain.

Tanto Bush quanto McCain costumam criticar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por ameaçar Israel, e ambos acreditam que não se pode permitir ao Irã que desenvolva armas nucleares, uma meta que o governo iraniano nega acalentar.

Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, insistiu sobre o fato de Bush não ter investido diretamente contra Obama. E afirmou: "Há muitas pessoas que sugeriram esse tipo de negociação com gente com as quais o presidente Bush acredita que não deveríamos conversar".

Um nome de peso que apóia McCain, Joe Lieberman, senador independente pelo Estado de Connecticut e ex-candidato a vice-presidente pelo Partido Democrata, disse que Bush "acertou na mosca" ao rejeitar a idéia de que "se nos sentássemos com esses assassinos e negociássemos com eles, eles parariam de nos ameaçar".

No entanto, a presidente da Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA, Nancy Pelosi, uma democrata, disse que as declarações de Bush "ficaram aquém da dignidade exigida pelo cargo de presidente e não são dignas do nosso representante naquela cerimônia realizada em Israel".

"Eu espero que qualquer pessoa séria que pretenda assumir um papel de liderança no nosso país se afaste das declarações do presidente," acrescentou.

Reuters


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