A mãe da menina Isabella, Ana Carolina de Oliveira, afirmou em entrevista ao Fantástico que a prisão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foi justa. "A justiça está sendo feita", afirmou. Perguntada pela repórter se considerava o casal suspeito, ela respondeu "sim".Para ela, a entrevista que o casal concedeu ao Fantástico em 20 de abril não foi "nem um pouco convincente". A mãe da menina afirmou que contratou um advogado para acompanhar o processo de perto e é uma das testemunhas de acusação do casal.
Ana Carolina disse ainda acreditar que a filha pode voltar. "Tenho esperança de que ela vá aparecer a qualquer momento", disse chorando.
Ela afirmou estar muito angustiada desde que a filha foi assassinada, em 29 de março. "Só arrumo forças para conduzir a minha vida por causa da minha filha."
Para ela, o momento mais difícil após a morte da filha foi a volta ao trabalho. "É muito difícil chegar em casa e não encontrá-la", disse. "Nós brincávamos, eu ajudava ela a fazer a lição, nós dormíamos juntas. São essas as horas mais difíceis."
Ana Carolina contou que quem lhe avisou da morte da filha foi Anna Carolina Jatobá, por telefone. "Pouca coisa do que ela falou eu entendi, porque ela gritava muito."
"Quando eu cheguei lá, a Isabella ainda estava viva, respirava. Eu falei 'filha, fica calma, a mamãe está aqui'. Achei que a queda poderia ter prejudicado ela, mas não quis tirar ela dali para não piorar a situação. Senti uma dor muito grande por não ter caído com ela naquele momento."
Segundo ela, o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e Anna Jatobá não falaram com ela enquanto Isabella estava estendida no chão. "Ele falava com a polícia, e ela gritava muito."
Ana Carolina disse que, no enterro da menina, Nardoni não falou com ela. Já a madrasta teria lhe dado apenas um abraço indiferente.
A mãe de Isabella contou que não tinha nenhuma relação com o pai da menina. "Eu nunca falava com ele. Quando era necessário, eu fala com o pai dele. Ele nunca quis falar comigo. A maneira que encontramos de nos comunicar foi através do pai dele."
Mas, segundo Ana Carolina, a menina nunca falava do pai. "Ela sempre falava dos irmãos, mas quase nunca do pai." Ela afirmou que Nardoni pagava R$ 250 de pensão alimentícia para a filha.
Ana Carolina falou ainda sobre a briga que os dois tiveram quando ela colocou Isabella na escola. "Houve uma grande discussão, ele achava que a idéia era da minha mãe. Ele ameaçou matá-la. Mas eu enfrentei, não tive medo dele."
Sobre a relação com a Anna Jatobá, ela contou que as duas se falavam muito pouco e somente sobre Isabella. "Ela sentia ciúmes de mim, mas nunca dei motivo para isso." Ana Carolina disse que o assassinato pode ter acontecido por ciúmes. "A Isabella era a minha imagem."
Em relação o fato de o pai de Nardoni ter se referido a ela como "esquentadinha", ela afirmou que todas as ocasiões em que brigou foi por causa da filha.
Ela disse ainda que o Dia das Mães seria o dia mais triste da sua vida. "Eu não sei o que é não ter um abraço nesse dia. Seria o meu sétimo Dia das Mães", afirmou na entrevista gravada.
"Quero agradecer a todas as pessoas que estão me ajudando. Vou continuar lutando pela minha filha e acredito que a justiça será feita", disse Ana Carolina ao final da entrevista.
O pai e a madrasta da menina, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, se entregaram à polícia no final da noite de quarta-feira, depois de ter a prisão preventiva decretada pela Justiça pela morte da filha dele. O casal foi denunciado pelo promotor responsável pelo caso, Francisco Cembranelli, por homicídio triplamente qualificado.
O casal não recebeu visita da família no Dia das Mães. O pai pode ser visitado apenas pelos advogados e a madrasta só pode receber psicólogos na cela porque está em regime de observação.
A defesa aguarda em regime de urgência o parecer do mérito da prisão preventiva pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, o mesmo que libertou o casal durante a prisão temporária. O desembargador prometeu uma decisão "meramente técnica".
Isabella Nardoni, 5 anos, foi encontrada ferida, no dia 29 de março, no jardim do prédio onde moram o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.